Os vinhedos do Vale do Rhône Meridional, na França

Na lista dos países produtores de vinho, a França aparece em destaque com alguns dos vinhos mais prestigiados do mundo. Afinal de contas, o país é detentor de regiões vinícolas reconhecidas mundialmente. Entre elas, podemos citar o Beaujolais, Bordeaux, Burgonha, Champanhe e Vale do Loire, por exemplo. Além destas, há também o Vale do Rhône Meridional. Trata-se de uma importante região vinícola francesa cortada pelo Rio Rhône, com início na cidade de Vienne e término na altura da cidade de Avignon, no sul da França.

O Vale do Rhône Meridional (ou Vale do Rhône Sul como é popularmente conhecido) possui solos extremamente complexos e variados, distribuídos por encostas e planaltos. Neles são produzidos alguns dos vinhos franceses de notoriedade mundial – ricos em sabor, elegância e harmonia. Quer conhecer mais sobre os vinhedos do Vale do Rhône Meridional? Então acompanhe o artigo a seguir

O Vale do Rhône Meridional

Image-Vale do Rhône - GIMtravel

Vale do Rhône. Foto: GIMtravel

A parte sul do Vale do Rhône vai da cidade de Montélimar à Avignon, em uma área com cerca de 70 mil hectares. A região possui clima quente do tipo mediterrâneo, com bastante incidência de luz solar e presença do vento Mistral.

Também conhecido como “vento de outono”, o Mistral é um vento catabático (que desce colinas) e que transporta ar de alta densidade do alto de encostas para baixo, através da ação da gravidade. Dessa forma, ele se caracteriza por ser seco e por soprar de norte para o sul da França, exercendo assim,  grande influência sobre os vinhedos do Vale do Rhône Meridional.

Devido a esse clima propício e grande variedade de solos que possui, o Vale do Rhône Meridional produz vinhos de grande diversidade. Isso porque na região cultiva-se várias uvas, como a Roussanne, Marsanne, Bourboulenc e Grenache Blanc, que produzem vinhos brancos. Além destas, cultiva-se também as uvas Cinsault, Carignan, Syrah, Mourvèdre e Grenache Noire, que produzem vinhos tintos e rosés.

Conheça também os vinhedos do Vale do Rhône Setentrional, na França.

Vale do Rhône Meridional : o vinhedos dos Papas

A AOC Châteauneuf-du-Pape é um verdadeiro ícone francês. E isso não só pela inquestionável qualidade de vinhos seus vinhos e seus solos, mas, também, por sua história. No século XIV, a Igreja Católica já era uma potência e sob o comando do Rei Felipe IV o papado mudou-se de Roma, na Itália, para Avignon, na França.

Assim, entre os anos de 1309 e 1377 a cidade Francesa foi sede da Igreja Católica, por abrigar a corte papal daquela época. Inclusive, na cidade de Avignon foi construído um castelo, que serviu de residência de verão para os novos papas (É uma visita incrível, não perca).

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Ruínas do castelo de Chateauneuf-du-Pape, no Vale do Rhône Meridional, França.

E Châteauneuf-du-Pape teve sua história agregada aos vinhos à partir do papa francês Clemente V. Isso porque ao chegar à região Clemente V ordenou que se plantasse ali um vinhedo. No entanto, o papa João XXII, sucessor de Clemente V, foi quem desenvolveu o cultivo da vinha e propulsionou a fabricação de vinho na região.

Na época, a Igreja Católica passou a produzir vinhos no local e os vinhos ali produzidos eram denominados “Vin Du Pape” (vinho do papa), referindo-se a João XXII. Favorecidos pelo pontífice, os vinhos da região ganharam reputação e a cultura da vinha perpetuada na grande tradição papal.

Acredita-se que, cerca de 3 mil litros de vinhos eram produzidos por ano em Châteauneuf-du-Pape. E essa quantidade era apenas para servir ao papa e os emissários reais recebidos no castelo.

Châteauneuf-du-Pape: chefe das vinhas do Rhône Meridional

Famoso por seus vinhos brancos e tintos, Châteauneuf-du-Pape é considerado o carro chefe do Vale do Rhône Meridional, a grande estrela da região. Isso porque a denominação tem um dos maiores e mais elogiados vinhos franceses do mundo. Trata-se de um vinho robusto e de cor escura devido aos longos períodos de incidência da luz solar, que ocasionam um amadurecimento mais acentuado das uvas.
Châteauneuf produz excelentes vinhos de guarda.

Vinhedos do Papa - intoxreport

Vinhedos de Châteuneuf – o solo de seixos redondos que é típico da região. Foto: Intox report

Os vinhos tintos da AOC Châteauneuf-du-Pape  (97% da produção) têm suas safras valorizadas pelo envelhecimento ao longo de décadas. Assim, são robustos, poderosos, estruturados e formidavelmente equilibrados. Além disso, possuem composições que podem usar até 13 castas de uva (as principais – podendo chegar até 22 castas pelas regras da AOC) e obterem ampla gama de aromas.

Com preciosos toques de alcaçuz, tabaco, ervas secas, entre outras especiarias incluindo o café, os vinhos tintos do Châteauneuf-du-Pape são tânicos de ótima textura. Além disso, eles possuem notas de frutos vermelhos capazes de oferecerem um teor aromático magnífico para uma boa taça de vinho.

Já os vinhos brancos de Châteauneuf-du-Pape são mais raros (representam somente 3% da produção), um dos maiores vinhos brancos da França. De cor dourada e não muito ácidos, os vinhos brancos do Papa são bem encorpados e estruturados. Ainda, possuem aromas delicados e sutis de frutas e flores – alguns podendo desenvolver, inclusive, aroma de mel.

No hall da fama dos Vinhos do Papa, encontramos o Clos des Papes 2005. Ele foi proclamado, no ano de 2007, “o melhor vinho do mundo” por uma conceituada revista especializada em vinhos.

Outras Appellations do Vale do Rhône Meridional

Para os amantes do ENOTURISMO, o Vale do Rhône Meridional é um lugar incrível para ser visitado. Além do Châteauneuf-du-Pape com sua história e vinhos, o Vale do Rhône Sul também conta com outras denominações de origens (AOC) importantes e fantásticas.

Em uma produção cooperativista, a AOC Côtes-du-Rhône conta com vinhos suaves e jovens. Existem, ainda, vilarejos que podem ostentar a AOC Côtes-du-Rhône Villages como denominação em seus rótulos. E embora sejam vinhedos de rendimentos menores que os de Côtes-Du-Rhône simples, são produtores de vinhos mais potentes e estruturados.

Dos tradicionais vinhos aos vinhos doces naturais (VDN – Vins Doux Naturels), o Vale do Rhône Meridional possui mais dois vinhedos notáveis. São a AOC de Muscat de Beaumes-de-Venise e a AOC de Rasteau. Além destas, não podemos deixar de mencionar as denominações de Gigondas, Vacqueyras, Tavel e Lirac, importantes AOCs do Vale do Rhône Meridional.

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Vinhos do Vale do Rhône Sul: diferencial dentro e fora da garrafa

O enoturismo no Vale do Rhône Meridional é um mix de prazeres e descobertas espetaculares. Inclusive, algumas vinícolas da região promovem a chamada degustação vertical. Trata-se de uma degustação em que se apresentam garrafas de diferentes safras para os visitantes. Assim, eles conseguem perceber que nenhuma safra é igual à outra.  Além disso, eles têm a chance de verificar que o sabor do vinho é requintado com o passar dos anos.

Externando a qualidade e requinte, as garrafas tradicionais do Vale do Rhône Sul são chamadas de “Rhodanienne”. São garrafas que trazem consigo não apenas o rótulo com a AOC, mas também trazem os emblemas das denominações de origem esculpidos em seus vidros. Uma atração e tanto ao paladar quanto aos olhos!

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Vinho tinto Châteauneuf-du-Pape. Foto: Farmy

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