Brasileiros em Paris

page3image3672096

Paris é um festa verde-amarela

O Itamaraty estima que existem atualmente no exterior uma população de cerca de 2,5 milhões de brasileiros, distribuídos em 195 países do mundo. Destes, cerca de 60 mil estariam morando na França, dos quais perto de 12 mil brasileiros em Paris.

Por Mário Kodama
A conexão da França com o Brasil é muito mais profunda do que se pode imaginar. Paris realizou em meados do ano passado a sua 18a edição da festa da Lavagem da Madaleine, inspirada no tradicional ritual baiano das “Escadaria da Igreja do Senhor do Bonfim”, em Salvador. Sempre destacando temas religiosos e culturais, a manifestação também dá ênfase a defesa dos direitos humanos e contra a discriminação racial.

A festa brasileira, segundo a RFI (Rádio França Internacional), é atualmente a manifestação mais importante da cultura brasileira na Europa, além de ser o maior marco da cultura afro-brasileira da Bahia fora do Brasil.

São cerca de seis dias de celebração verde-amarela, com direito a desfiles de trios elétricos, shows de artista convidados do Brasil e atividades multiculturais e palestras em diversas regiões da capital francesa.

Realizada nas majestosas escadarias da Église de La Madaleine (Igreja da Madalena), num dos pontos centrais da cidade de Paris, o evento foi realizado pela primeira vez em julho de 2001, ganhando importância e dimensão continentais.

Desde então tem levado às ruas milhares de pessoas do mundo todo, todos os anos – tornando-se uma tradição cultural do calendário turístico francês, incorporado ao cenário artístico e popular parisiense.

Abertura da cerimonia da Lavagem da Madaleine, na cidade de Paris, inspirada na lavagem do igreja do Senhor do Bom Fim, em Salvador Bahia- Foto RFI.
– Brasileiros em Paris –

Conhecendo a França – Paris é a capital da França. Ela é composta administrativamente de duas regiões. A cidade de Paris propriamente dita e a sua região metropolitana, denominada Île de France (Ilha da França, em tradução livre).

Administrativamente, a Île de France é uma das 13 províncias que constitui a França, tendo como sua capital e distrito federal a cidade de Paris, mais as suas cinco possessões regionais ultramarinas (Ver boxes).

A sua região metropolitana é divida por sua vez em oito departamentos. São elas, Sena e Marne, Yvolines, Essonne, Val-d`Orse, Vale do Marne, Altos do Sena, e Seine-Sant-Denis. Cada departamento é constituído de várias cidades, vilas e comunas. Já a cidade de Paris é subdivida em 20 arrondissements (distritos), que evoluem na forma de uma espiral (ver ilustração) – a contar do centro, marcado pela localização do Museu do Louvre, com a sua famosa pirâmide de vidro (ilustração acima).

A cidade de Paris e os seus 20 distritos distribuídos em espiral, cortado pelo Rio Sena.

Brasileiros em Paris – Não há dados oficiais. Com fontes baseadas no Consulado Geral do Brasil em Paris, e consultas com outros brasileiros em Paris, estima-se que devem morar no município parisiense cerca de 7 mil brasileiros residentes.

A população total pode chegar em torno de 12 mil brasileiros, se contarmos toda a região metropolitana de Paris. Sem falar que há uma população enorme de brasileiros em Paris não regularizados.

De acordo com dados oficiais do governo francês, disponíveis de 2013, conforme o Consulado Geral do Brasil em Paris, apuradas pelo Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos da França (INSEE) e utilizado pelo seu Ministério do Interior francês, moravam na época na França 43.383 brasileiros, dos quais 22.704 do sexo feminino (52,3%) e 20.678 do sexo masculino (47,7%).

“As estimativas de brasileiros no exterior é uma das questões mais controversas quando o tema abordado é imigração internacional”, segundo o Consulado. Em números mais recentes, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) estima que, com dados de 17 de dezembro de 2019, dos mais de 2,5 milhões de brasileiros pelo mundo, cerca de 60.000 viveriam na França; o que resultaria num crescimento da população de brasileiros no país de cerca de mais de 15 mil num período de seis anos.

Feriados de 2020, ótimas oportunidades para conhecer a França

Ainda segundo o Consulado, “tais números levam em conta relatórios consulares, a quantidade de documentos expedidos para nossos nacionais, dados fornecidos pelas autoridades imigratórias estrangeiras, sondagens junto à comunidade brasileiras, registros governamentais de saída e retorno de brasileiros no exterior, percentuais de remessas financeiras, estudos da OCDE, trabalhos acadêmicos, artigos na imprensa, entre outros”.

Principais destinos de Brasileiros no Exterior

(total de cerca de 2,5 milhões de brasileiros no exterior*)

1.Estados Unidos (23,8%)
2.Portugal (13.8%)
3.Espanha (9,4%)
4.Japão (7,4%)
5.Itália (7,0%)
6.Inglaterra (6,2%)
…França (2,4%)

*Dados do Itamaraty de 17.12.2019.
Site – www.brasileirosnomundo.itamarty.gov.br

page6image3677712

Província – Capital

01.Île de France – Cidade de Paris 
02.Grand-Est – Estrasburgo 
03.Auvergue-Rhône-Alpes – Lyon 
04.Borgonha-Franco-Condado – Dijon 
05.Bretanha – Rennes 
06.Centre-Val de Loire – Orléans
07.Corsega – Ajaccio
08.Occitaine – Toulouse
09.Normandie – Rouen
10.Altos da França – Lille
11.Pays de La Loire – Nantes
12.Provence – Marseille
13.Nouvelle-Aquitaine – Bordeaux

13 província da França continental
Possessões Ultramarinas – As cinco possessões ultramarinas francesas, também com status provinciais são:
1.Guadalupe e 2.Martinica, localizadas no Caribe;
3.Guiana Francesa, na costa do Atlântico norte da América do Sul, na Guianas – fazendo fronteira com o Brasil a leste e a sul, e com o Suriname a oeste;
4.Ilhas da Reunião, no oceano Índico, a leste de Madagascar e a
5.Ilha de Mayotte, localizado entre oceano Índico e o Canal de Moçambique, na porção mais oriental do Arquipélago de Comores.

Wando e o filho modelo na França, Rafael, 5 anos
– Brasileiros em Paris –

O profeta do seu destino

Nascido em Itabuna, na região sul da Bahia, Wanderley Souza Alves Filho, 42 anos, fez da profissão de guia turístico, nas paradisíacas praias de Ilhéus, cidade vizinha, o seu passaporte para morar na Europa, consolidando as suas auto profecias.

De verve intensa e abundante, sotaque acentuado, Wando diz que tem visões desde pequeno, em que visualiza o seu destino. De família humilde e numerosa, – caçula e único homem entre oito irmãos -, ele diz que sempre idealizou o meu destino, e nunca desistiu da vontade de realizá-los, afirma convicto e sonhador.

Wando já mora há mais de oito anos na França. Atualmente está há quase dois anos em La Celle de Saint Cloud, no departamento de Yvelines, na região metropolitana de Paris. Tem um filho – Rafael de 5 anos, que desde os seis meses de idade trabalha como modelo infantil. É casado com a médica especializada em saúde de deficientes físicos, Valery Kesly, 45. A sua segunda esposa francesa.

O brasileiro conheceu Valery na noite parisiense, em que se apresentava entre bares brasileiros da cidade, numa canja e outra de violão; entre os intervalos do trabalho de garçom, ajudante de cozinha, faxina, e outras atividades do seu emprego de então. Ele gaba dos conhecimentos sobre a cultura brasileira que tem a esposada esposa. Além de percussionista, ela ainda é profunda conhecedora de samba de raiz e ritmos nordestinos, diz orgulhoso.

O filho famoso, que estampa outdoors parisienses e revistas francesas, é fruto do seu primeiro casamento com a publicitária francesa Dorine Maro, 47. Estão separados há mais de dois anos. Conheceram-se em Ilhéus, em 2011, e foi uma paixão de Wando à primeira vista, e responsável pela sua mudança para a França.

Amor e Profecia – “Eu sou um cara meio profeta”, afirma o baiano, com todos seus sotaques. Sempre muito poético. Romantismo ao extremo. “Quando vejo uma situação, eu idealizo o que vai acontecer no futuro”, explica enfático Wando.

“Quando eu vi a mãe dos meus filhos, de idas de vindas pelas praias…Essa mulher loira passando…Eu já sabia qual seria o nosso destino”, afirma. “Eu disse ‘oi’ e ao me aproximar perguntei se falava inglês, ela respondeu que falava português”, já veterana em terras brasileiras, relembra Wando.

O brasileiro não perdeu tempo – e emendou: “eu vi nos seus olhos uma coisa interessante…e ela falou – o quê? Você tem um olhar de família…”. No que ela sorriu, o brasileiro perguntou se a francesa gostaria de dançar e convidou-a para numa festa.

“Eu vi que ela estava em mim e eu estava interessado nela”, explica minuciosamente o baiano o clima daquele encontro. “Eu disse – vejo em você uma mãe…eu tenho que te dar um filho…porque você é linda…E, esse filho vai ser modelo…Será ator de televisão…Conversamos muito – mostrei os meus pontos fortes e os meus pontos fracos e ela também…”, relata minuciosamente Wando.

No fim das contas, eles passaram aquele verão juntos. Ao retornar para a França, Dorine continuou a se corresponder com Wando pela internet – até que naquele mesmo ano ele recebeu um convite para se encontrarem na Europa. Mas ele mas condição de que ele deveria arcar com a sua própria passagem, e a promessa de que teria ajuda para viver na França.

A EMCRUZILHADA – Wando conseguiu comprar a passagem para o voo, mas faltou dinheiro para o bilhete de ônibus até o aeroporto em São Paulo. Mesmo vendendo tudo – bicicleta, prancha de surfe, um aparelho de TV, raspou as economias, pediu emprestado.

Para realizar o seu sonho, havia ainda uma distância de cerca de 1700 km a serem vencidas até o aeroporto internacional de Cumbica. E já havia esgotado todas as suas possibilidades de angariar recursos. No limite das suas esperanças, as irmãs de Wando elaboraram uma vaquinha e fizeram lhe uma surpresa, viabilizando-lhe a passagem de ônibus.

CHEGADA EM PARIS – Massagista eventual, surfista libertário e alma de capoeirista, o brasileiro chegou no dia julho de 2012, decidido a mudar o seu destino. Apesar da França estar vivendo o seu alto verão, havia um vento frio atípico para aquela estação do ano, lembra Wando.

Era a sua primeira vez na França, mas não na Europa. Já havia passado pela Itália e na Dinamarca, em relacionamentos amorosos anteriores não muito tranquilos, para dizer o mínimo. Ele tinha, entretanto, a esperança de que desta vez seria diferente.

Em pouco mais de um ano, Wando estava com os papéis regularizados e casado com Dorine. Depois de ficar um tempo “turistando” pela cidade de Paris, onde foi morar, hoje faz de tudo para viver – de motorista de caminhão a camareiro de hotel. Já

domina relativamente o francês, mas diz que se enrola na escrita que “é outro departamento”, segundo ele.

No primeiro dia em terras gaulesas, o brasileiro sentiu na pele o preço de ser um estrangeiro. A sua então esposa o levou para jantar num restaurante típico. Para pedir a conta, Wando levantou a mão bem no alto e deu um assobio de leve para chamar o garçom. O que seria relativamente tranquilo no Brasil, foi simplesmente trágico na França.

“Rapais!!! O cara (o garçom francês) veio de lá – meu broder…! Veio muito irado, dizendo que não era cachorro não…Não assovie pra mim não…Falando na língua dele, que eu não entendia nada…Veio com ódio nos olhos…Sabe quando você não tem nenhuma noção de nada do que está acontecendo…”, relata o brasileiro.

“Ai eu disse – me desculpe, eu não sou francês, sou brasileiro (traduzido em tempo real pela sua mulher). O cara não quis nem saber de nada…Me botou pra fora…Comecei a tremer…e me perguntar – aonde é que eu fui parar? (risos)”, enfatiza ele.

Quando nasceu Rafael, Wando comemorou. “Eu falei pra minha mulher – pra completar a profecia vamos tirar algumas fotos para mandar a uma agência de publicidade…Poxa, com seis meses de idade o garoto já tava trabalhando, visse!!”, se admira o brasileiro – baiano da gema, surfista como filosofia de vida, vivendo nas zoropa, orgulhoso do filho e das suas próprias proezas. MK

page9image3689568
Carlos com a esposa Maria Carolina, ao fundo a famosa abadia do Monte São Michel  – Brasileiros em Paris –

Chutando o balde

“Chutei o balde!”, enfatiza o paulista Carlos Alberto da Silva, 59, ao tentar explicar a sua decisão de sair do Brasil, numa viagem do tipo – “na loka”. Na época, o brasileiro tinha 57 anos e uma carreira consolidada como promotor de vendas em Joinvile (PR), para onde foi transferido já havia 7 anos, na fábrica de lã de aço Assolã – concorrente da Bombril -, que hoje já não existe mais.
Segundo Carlos, era considerado o melhor vendedor do estado do Paraná e detinha o título interno de o 5o melhor vendedor do Brasil na empresa. Segundo ele, na sucursal em que trabalhava, era a referência para a visita de diretores e altas autoridades públicas.

Há três anos e meio vivendo na cidade de Paris, atualmente trabalha no que mais gosta – viajar pela França. Ele roda as feiras da indústria e comércio do país através de um restaurante de culinária típica brasileira, como ajudante de cozinha. De norte a sul, de leste a oeste, conhece na palma da mão todos os recantos franceses. Desde que chegou à França, se vira como pode.

Agora mais experiente, o brasileiro considera que é difícil ele ficar desempregado, apesar de depender de trabalhos eventuais. Desde o ano passado, encontrou um emprego relativamente fixo e por temporadas mais longas. O caso deste que está atualmente, que lhe ocupam de dez a quinze dias por mês. Fora isso faz bicos como churrasqueiro em eventos da cultura brasileira pela região de Paris, ou mesmo se dá o luxo de se dar uma folga.

Carlos é um brasileiro fascinado por Paris, apesar do alto custo de morar na cidade da capital francesa. O seu salário atual é em media em torno de 2 mil euros (somados gorjetas), e vai levando. Nesse tempo na Europa, tornou-se muito bem relacionado, mesmo com a comunidade francesa, o que lhe facilita para sempre arranjar um trabalho aqui e acolá.

Diz que tira de letra a língua. Apesar de entender relativamente bem, reconhece que às vezes tem dificuldade de se expressar. Vive há cerca de dois anos num pequeno apartamento térreo, com a esposa Maria Carolina, 50, (juntos há 22 anos), cujo aluguel fica em torno de 700 euros mensais. Um pouco salgado, mas é o preço de se morar na cidade de Paris.

Está no 17o distrito (arrondissements), a cinco estações de trem da Champs Élyées – uma das radiais que dão acesso à rotatória do Arco do Triunfo. Churrasqueiro de mão cheia, diz que o seu sonho é ter um truck food – um caminhão trailer próprio para rodar a França, mostrando a tradição e a culinária brasileira.

A esposa veio depois de um ano que Carlos chegou à França. Ela trabalha através de uma agência de emprego e ganha por jornada de trabalho, quando é convocada. Ganha cerca de 10 euros por hora em trabalho doméstico. E 15 quando trabalha para uma empresa – geralmente de limpeza, em residências ou hotéis.

Carlos abriu em janeiro de 2019 a sua própria empresa de prestações de serviço – que lhe permite administrar de forma legal o seu trabalho e de sua mulher – os dois únicos recursos humano da empresa pessoal. O registro oficial lhe permite ainda contribuir ao Estado e lhe dá direito à consulta médica da rede de saúde do governo federal.

SAIR DO BRASIL – O brasileiro já tinha a ideia fixa de ir para o outro país desde sempre. A primeira oportunidade aconteceu quando conseguiu um emprego para morar na Califórnia (EUA), através de um contato com um ex-vizinho seu, que já morava por lá há muito tempo. A sua filha havia montado uma empresa de assentamentos de assoalho em residências.

Aproveitou a deixa e foi cobrar DA empresa em Joinville a promessa de uma promoção salarial que “nunca vinha”. Na negativa, aproveitou para pedir demissão, avisando que estava indo para os Estados Unidos. Documentação pronta, teve o visto negado. Apesar deste primeiro revês, não se deu por vencido.

Não demorou muito e teve um novo convite, de um colega para trabalhar na França. Não teve dúvidas. Tudo decidido. Passagem comprada. Na última hora o amigo “deu pra trás” prometendo ir em seguida. “Acontece que estou esperando o cara até agora”, ironiza Carlos. (Risos).

O brasileiro aportou sozinho no Aeroporto Internacional Charles De Gaulle, no dia 19 de agosto de 2016. Só com a cara e a coragem, relembra Carlos. “Não conhecia viva alma ali”, relata. Mas tinha alugado um quarto por 340 euros, numa residência de um casal de brasileiros – conhecido pela internet -, que vivia na França há muito tempo, que foi buscá-lo na chegada.

“Cheguei com 2 mil euros no bolso. O que na época daria para ficar uns 4 meses tranquilo. Ai fiquei morando por quase dois anos – num apartamento de três quartos e a companhia de outros brasileiros –, situado em Mons-em-Montois, departamento de Seine-et-Marne, na região metropolitana de Paris”, conta Carlos.

O primeiro passo era conseguir um emprego, relembra Carlos. “Como esse casal brasileiro tinha vários contatos, consegui o primeiro na construção civil. Ganhava 70 euros por dia”. Depois de um ano na França passou por diversos outros tipos de serviços.

“Fiz de tudo por aqui. De tudo, um pouco – faxina, guia turístico, ajudante de mudanças, motorista, etc”, afirma Carlos. “Até que um dia, Deus colocou outro casal de brasileiros no meu caminho – que moravam há 30 anos na França. Os proprietários do Restaurante de comida típica brasileira – Fazenda do Brasil.

O restaurante brasileiro acompanha as principais feiras nacionais do comércio e indústria, tendo como roteiro as principais regiões da França, cuja temporada de eventos tem início em meados de março e vai até dezembro, com uma média de um evento por mês e a duração de dez a 15 dias em cada lugar.

Foi contratado em junho de 2019, na posição de ajudante de cozinheiro. Nos cerca de seis meses que trabalhou no ano passado, ajudou a montar estandes em cerca de seis cidades famosas pelo turismo no país, cruzando os quatro cantos da França.

A primeira cidade foi Nantes, a 260 km sudeste de Paris. Depois Nantes, a 384,5 km de capital francesa. Situado a 50 km do Oceano Atlântico, é capital do departamento de Loire-Atlantique e da Região do Loire. Veio Limoges, capital do departamento de Alto Vienne, na região de Nova Quitânia, famosa pela produção de porcelana medieval, distante 393,6 km.

Na sequência foi a vez de Grenoble, cidade histórica da região Rhône-Alpes, base famosa de esportes de inverno, distante 575,0 km da capital francesa. A próxima foi Saint Etienne – cidade no centro leste da França 60 km a sudeste de Lyon, 524 km distante.

Fechando a temporada, no início de dezembro, participou da feira náutica em Cap D`Agde, conhecido complexo turístico no sul da França, na costa mediterrânea. Localizado a cerca de 759 km de Paris, pelo turismo naturista e o nudismo.

A temporada das feiras tem início todo o ano em meados de março e contabiliza cerca de 15 eventos neste período. Como ajudante de cozinha, o brasileiro é responsável pelo preparo da caipirinha, cujo restaurante tem no seu cardápio principal o churrasco. De quebra, se responsabiliza pelo trabalho de bar.

O restaurante serve também, como não poderia deixar de ser, aquele arroz bem temperado, feijão, salada completa, petiscos tradicionais, tendo ainda como um dos destaques item bem peculiar da nossa culinária regional – a moqueca, preparada por uma legítima baiana.

Carlos também é ponta de lança do restaurante. Chega antes, junto com os patrões, para ajudar na montagem do estande, cujo ambiente tem um espaço de cerca de 200 metros quadrados de área, formado por dois banheiros, palco para shows e espetáculos de dança.

A sua equipe de trabalho é internacional. O staff é formado por seis funcionários. Trabalham ainda dois franceses, um tailandês, um francês da Martinica (ilha do Caribe que pertence a França). Além de dois brasileiros, uma baiana e Carlos, nascido no interior de São Paulo. MK

page12image3689360
Neka – terminando o seu mestrado e trabalha na Air France
– Brasileiros em Paris –

Cursando mestrado e Air France

Arecifense (PE) Nélcia Maria Araújo Torreiro de Moraes, 23, (a Neka) já está há cinco anos na França. Na tentativa de adequar os seus objetivos acadêmicos, cruzou o país e acabou se estabelecendo em Paris, onde mora atualmente. Nessa procura de definir a sua carreira teve suficiente oportunidade viajar, bem como assimilou com certa facilidade a língua francesa.

Atualmente mora há seis meses na cidade de Paris, num apartamento no 18o distrito (arrondissements), com o seu namorado, o engenheiro de planejamento francês, Nicolas Herviece. Ela atualmente cumpre o seu último ano de mestrado no curso de Markenting Digital, na Umiversidade Campus Fonderie de L’Image, cuja atividade divide com seu estágio na Air France. Deve defender o seu título em agosto do ano que vem – 2020.

O COMEÇO – Tinha então 19 aninhos quando aportou na Europa. Neka estudou designer industrial na Universidade Federal de Pernambuco. Ao se formar em 2015, um professor lhe propôs uma bolsa de estudos pela Brastec, um programa pernambucano de parceria entre a França e o Brasil.

A bolsa era de cerca de 870 euros mensais, além de cobrir a passagem para a França, e uma ajuda de custo perto de mil euros para compra de um computador e um celular. Como já tinha superior completo, Neka iniciou os estudos no terceiro ano da Universidade de Tecnologia de Belfort, no extremo leste da França. Local em que conheceu o seu futuro namora francês, que estudava no último ano de universidade.

A universidade era localizado na província de Bourgogne-Franche-Comte. Neka foi morar na cidade vizinha – na aprazível comuna de Montbéliard. A região faz divisa com a Alemanha e a Suíça. Por determinação da sua bolsa de estudos, estudou na área de mecânica por um ano.

Insatisfeita com o curso, nitidamente fora da sua formação original, o namorado Nicolas sugeriu a brasileira uma transferência para outra universidade na Normandia, sua terra natal. Mas no outro lado da França – no extremo leste do país.

Pediu transferência, e foi parar, em meados de 2017, na cidade de Clerborg- Octeville, cidade vizinha de Port-Bail, na região de moradia dos pais de Nicolas, às margens do Canal da Mancha, num curso mais afim à sua formação. Nos três anos que duraram os seus estudos, conciliou o emprego designer em uma gráfica local.

Neste ínterim, Neka foi premiada com o Startup Weekand Edição 2018, ortorgada pela Google, para projetos inovadores. No caso um programa de lógica, destinada para crianças – como trabalho de conclusão de curso.

Ao se formar prestou concurso para o mestrado em Paris e enviou currículos à procura de emprego; quando recebeu inesperadamente um convite para um estágio na Air France, apesar de não ter enviado solicitação de emprego para a empresa de aviação francesa. Ela estima que a publicidade gerada pelo prêmio do Google chegou até o conhecimento da empresa.

Atualmente Neka tem uma vida atribulada. Divide os seus estudos acadêmicos, com o trabalho na Air France – localizado no aeroporto internacional Charles De Gaulle, a cerca de uma hora e meia da cidade de Paris.

Ela alterna os seus estudos com a sua atividade na empresa de aviação – quatro dias na empresa e seis dias integrais na universidade, e vice-versa, durante o mêa – numa jornada de segunda a sexta-feira. Nos finais de semana, volta para a casa dos pais do namorado, na Normandia, para ver Nicolas. Ele atualmente ainda está solicitando uma transferência para juntar-se a Neka, na cidade de Paris.

O visto da brasileira atual é de estudante, com direito a trabalhar 21 horas semanais. Ela estuda agora com uma bolsa do governo francês, num regime de convênio, em que o estado francês banca os estudos, e subsidia o salário a ser pago pela empresa, num incentivo para dar oportunidade e experiência aos novos no mercado de trabalho.

Entretanto, o seu estágio na Air France, uma das mais prestigiosas do mundo na sua área, já tem o seu período limitado. Encerra-se ao final da conclusão do seu mestrado, por restrição da política administrativa da própria empresa, independente da sua performance como estagiária.

Em função do prêmio agraciado pelo Google, Neka já tem convites de outras empresas, que esperam apenas a conclusão do seu curso para contratá-la. No final deste processo, a brasileira pretende se naturalizar francesa, por seus próprios méritos, e somente depois pensar num casamento com o seu namorado. MK

page14image3691856
As irmãs Loverdos Tahan, as gêmeas Marcela e Flávia e Cora, a mais velha, separada, morando em Paris.
– Brasileiros em Paris –

Mamãe, vovó e o pet Tom

Apaulista Cora Loverdos Tahan, 29 anos, está há cerca de sete meses morando em Paris, onde acabou parando depois de muitas peripécias pelo país, na busca por emprego. No final de novembro do ano passado, ela mudou para Houilles, na região metropolitana da capital francesa. Antes morava em Brunoy, também na região.

No total está há cerca de um ano na França. Emprego arranjado, moradia estabilizada – só recentemente conseguiu se acomodar de forma a se tranquilizar no país. Cora trabalha como recepcionista de um hotel na cidade de Paris, exclusivo do sindicato nacional dos condutores e controladores do transporte público francês, a cerca de 30 km de onde mora.

A brasileira chegou na França em 27 de abril do ano passado, indo direto para Besse-sur-Issole, para morar com um primo francês da avó, de uma linhagem distante da família brasileira. Localizado nos Alpes franceses, é uma pequena e prazível cidade, no interior do país, na região sudeste da França, com cerca de 4 mil habitantes.

Desembarcou de mala e cuia, disposta a viver na França. Na bagagem, além de um adeus quase definitivo do Brasil, a mãe Patrícia, 53, a avó Andronice, 80, e o padrasto Edilberto, 62, além de Tom – um cachorrinho de estimação da raça Ihasa Apso, idoso e muito querido, que viria a falecer pouco tempo depois.

Carol é de descendência grega por parte da avó – filha de gregos, nascida no Egito, onde estudou francês até emigrar para o Brasil, e legou o sobrenome Loverdos. O Tahan veio do pai, de descendência sírio-libanesa, que se separou da mãe quando Cora tinha três anos. A relação francesa da família grega da avó de Carol tem um histórico que remonta mais de um século, caso dessas genealogias antigas típicas do velho continente.

Paulistana do bairro Parque Santo Antônio, próximo ao Brooklin, a brasileira tem duas irmãs, que são gêmeas univitelinas – Marcela e Flávia, ambas de 27 anos, que atualmente moram no Rio de Janeiro. Mas juntas, apesar de Cora ser a mais velha, as três são tão parecidas que parecem trigêmeas.

Apesar de pouco mais de um ano na França, Cora não é marinheira de primeira viagem na Europa. Antes, esteve por vezes em Londres (Inglaterra) com a mãe e uma das suas irmãs. Na primeira vez em 2007, quando aproveitou para ir à Grécia, onde conheceu seus familiares por parte da avó, para solicitar a sua nacionalidade grega, com o intuito de conseguir seu passaporte da comunidade europeia.

Retornou da Inglaterra em definitivo para o Brasil, depois de idas e vindas, em 2014, apesar de a mãe e as irmãs terem decidido permanecer mais uma temporada em Londres. Carol permaneceria no Brasil até o início de 2019, quando decidiu, com a mãe e a avó, retornar à Europa.

“Eu e a minha mãe não queríamos mais ficar no Brasil. Convencemos a minha avó que tinha um primo francês” – que ao ser consultado convidou-os para morar na França, com o argumento de que teriam mais oportunidades, relata a brasileira.

O PÉRIPLO POR EMPREGO – Até estabilizar no país, Carol acabou rodando meia França, por quase sete meses, e rápidas incursões em países vizinhos à procura de emprego. O seu périplo pelo país começou logo que chegou ao continente.

Logo depois de um mês da chegada, conseguiu um emprego na cidade próxima 52 km de Besse-sur-Issole – em Le Lavandou, cidade turística da Riviera Francesa, descendo a serra em direção mediterrâneo. Trabalhou cerca de uma semana num restaurante Bairro Latino, de culinária predominantemente brasileira, de propriedade de um brasileiro.

Recebeu apenas 300 euros no período, apesar de trabalhar duro – lavando pratos, atendendo pedidos, faxina, até 12 horas por dia. Segundo Cora, em geral, num salário para este tipo de trabalho deveria ser pelo menos o dobro ou mais. Não demorou muito para pedir demissão, com a promessa de algo melhor.

Em Lavandou, Carol conheceu um brasileiro que sugeriu ir para Malmo, na Suécia, na temporada de colheita de morango. Sem perda de tempo, voaram para lá na esperança de um salário melhor.

Malmo fica localizado no extremo sul do país escandinavo, quase divisa com a Dinamarca. São quase 2 mil quilômetros, atravessando pelo nordeste da França, passando pela Alemanha, beirando os Países Baixos.

Vivendo em alojamento de uma fazenda, Cora e o amigo perceberam, já nos primeiros dias da colheita de morango, que o trabalho era mais extenuante do que imaginavam. Mas tiveram que ralar pelo menos duas semanas, para pelo menos ter recursos mínimos e procurar outro destino.

Recebeu cerca de 600 euros semanais, e conquistou nova amizade. Agora um romeno, que teria descolado um novo emprego através de um primo que morava em Estrasburgo – região no nordeste da França, na divisa com a Alemanha. Um pequeno retorno na rota.

Era um provável restaurante, mas que também se mostraria um furo n’agua. Não era bem de acordo com as informações que haviam tido a respeito do trabalho, segundo Cora. Completamente sem a quem recorrer, acabou indo para a Romênia – que acabou sendo outro desastre, que desembocou até numa crise familiar na casa do recém conhecido. Bora pra frente.

Sem perspectivas, retornou ao ponto de partida na França, para se juntar à avó e a mãe Patrícia. A situação era a mesma de quando havia partido. Nesse interim, a avó havia brigado com o primo e retornado ao Brasil. Entretanto, a aventura de Cora pelo país europeu ainda não havia terminado.

Indicado por um conhecido francês, conseguiu um novo emprego em Le Lavandou. Agora em melhores condições salariais, num restaurante francês. Ficou três semanas, para juntar algum e partiu para Paris.

Pela internet, conheceu um brasileiro que a apresentou “a umas meninas brasileiras que estavam procurando alguém para dividir um apartamento” na capital francesa, conta Cora. Fenômeno muito comum na comunidade brasileira na França e entre os brasileiros em Paris.

Depois de algumas semanas conseguiu um emprego estável no hotel, graças ao visto europeu, mudou posteriormente para outro apartamento. Emprego de contrato ilimitado, com todos os direitos trabalhista, finalmente com a moradia estabilizada, chamou a mãe para morarem juntas.

E viveram felizes para sempre…MK

page17image3692064
Queile e o marido e empresário português Nelson Lima Soares
– Brasileiros em Paris –

Partindo de Portugal

Atualmente Queile Batista Cabral Soares, 48, mora em Orsey, na região metropolitana de Paris, há cerca de 4 anos, com o seu marido português, o empresário Nelson Lima Soares, 40. Com a vida estabilizada, trabalha como publicitária num shopping da popular da rede de hipermercados E.Leclerc, localizado na região norte de Paris, já há alguns anos. Ela vive na Europa desde 2013, quando desembarcou em Portugal, a convite de um amigo muito próximo dos tempos de Cuiabá (MT), que havia inaugurado uma agência de turismo no país. Ela depois acabou casando na França com o marido que conheceu em Portugal.

Queile é de Conceição das Alagoas, em Minas Gerais, e aos 6 anos mudou-se com a família para Aparecida do Taboado (MS), mas acabou se estabelecendo em Cuiabá (MT), onde familiares do pai, tradicionais na região, já haviam se estabelecido no setor de criação de gado e frigorífico.

Já pensando no seu futuro, a brasileira se transfere para São Paulo. Aos 21 anos vai para Ribeirão Preto, formando-se em publicidade. Posteriormente estuda moda, em São José do Rio Preto. Retorna para Cuiabá, para trabalhar junto aos negócios da família, chegando a abrir uma agência de publicidade na capital mato-grossense.

Na busca por independência, retorna à Ribeirão Preto, onde é diagnosticada com uma doença grave e fica internada por um longo tempo. Ao ter alta do hospital novamente retorna à Cuiabá. De volta ao seio da família. Quando recebe uma proposta de trabalho de um antigo amigo de longa data, para juntar-se a ele em Portugal

Ele já havia consolidado na Europa uma agência de turismo interno, voltado para idosos e aposentados. Ambos já haviam trabalhado juntos no Brasil, portanto conhecia o potencial profissional de Queila.

A brasileira relutou no início a aceitar a proposta. Acabou aceitando o convite e transferiu-se para Portugal, em meados de 2011, onde permaneceu por cerca de 3 anos. Ela deixou a agência do seu amigo, quando esse, ao final deste período, transferiu a empresa para a Espanha, e permanecendo em Portugal por ainda por alguns meses, com a intenção de retornar ao Brasil em seguida.

Nesse ínterim, acabou conhecendo o seu futuro marido, bem-sucedido na área de climatização de ambientes – implantação de placas solares, pisos irradiantes e ar condicionados – em prédios e empreendimentos comerciais, e na indústria em Portugal. Natural de Guimarães, mas morava em Braga quando se conheceram.

O primeiro encontro foi numa disco, na região da cidade do Porto, distante cerca de 300 km da capital Lisboa. E, o destino fez que eles se encontrassem várias vezes em distintas situações, desembocando num tórrido romance, confessa a brasileira. O plano de retorno já havia se expirado fazia tempo.

Em 2013, Queile se transfere para a França, acompanhando o namorado, que havia recebido uma proposta para gerenciar uma empresa imobiliária, na esteira da crise econômica da época, que se abatia sobre a Europa e o mundo em geral.

Vão morar em Orsey, ao sul da região metropolitana de Paris, num apartamento da imobiliária recém administrada pelo namorado, oficializando o casamento um ano depois. Ela demorou para encontrar um emprego na sua área. Começou trabalhando para uma empresa de limpeza, montada por uma amiga brasileira.

Neste tempo, calhou de conhecer uma francesa, quando prestava serviço num escritório ligado ao hipermercado E.Leclerc, sendo indicada para trabalhar na sua área de publicidade – onde está até hoje.

Trabalha diariamente de segunda a sábado, e de quebra está se formando em Ciências Sociais, num curso via internet, oferecido pela prestigiada universidade francesa de Sorbonne.

O próximo objetivo é tirar a sua carta de motorista, mas em Portugal, onde se beneficiaria da língua. Neste sentido está solicitando a sua nacionalidade portuguesa. A intenção é reduzir pelo menos o sofrimento na hora de ir trabalhar. Ela toma três trens para chegar ao serviço. MK

page20image1670000

Apresentação do projeto


Este ebook é resultado de diversas entrevistas que realizei com brasileiros que vivem na França, via o milagre da internet, entre meados de outubro e novembro de 2019. Seria a primeira etapa de uma série de reportagens que pretendia fazer, cujo projeto chama-se “Brasileiros Pelo Mundo”, que seria vendida para uma revista da comunidade brasileira no Japão, que acabou não acontecendo.

A publicação também é uma homenagem aos brasileiros que gentilmente confiaram no meu trabalho como jornalista, e se dispuseram generosamente a falar das suas vidas a este que vos escreve. Sou imensamente grato por essa confiança. Entretanto, a vida profissional de um freelancer não é das mais previsíveis, e infelizmente o seu objetivo contratual não foi concretizado. Mas a esperança continua de pé, inabalável na vida e nos tempos que virão, na busca por outras oportunidades.

O projeto jornalístico, no seu âmbito maior, é fazer uma crônica da vida dos brasileiros que estão espalhados pelo mundo, longe de casa, vivendo experiências extraordinárias, de sobrevivência, de autoconhecimento, conhecendo outras culturas e povos; ampliando horizontes, apesar de todos os incômodos e riscos do que é viver longe da sua terra natal, do aconchego da família.

O mais interessante é que por mais penoso que seja muitas vezes viver – ou sobreviver – a essa experiência, o brasileiro não desiste. Em quase todo lugar do mundo tem um brasileiro, cada um a seu modo, ralando, fazendo sucesso, se virando em fim – e sobretudo vivendo a aventura maravilhosa que é a Vida na sua imensidão mais ampla – da curiosidade, da perseverança, da alegria de viver, descobrindo os seus próprios limites.

Não importa onde, quando, em que condições, esse povo está lá – na sua picardia, na irreverência, batendo uma pelada, fazendo uma embaixada, fazendo coisas que até Deus duvida – e sobretudo fazendo do limão aquela deliciosa caipirinha. Na ponta do mundo, lá embaixo, lá em cima, no meio, não importa.

Para o brasileiro, o planeta é uma bola e como tal dever ser tratada. Rolando no gramado, com muito carinho, com esmero, na doçura, na candura, com talento, com ginga, na batucada, no chorinho, de bossa nova, e sobretudo na irreverência, daquele jeito que só o brasileiro sabe valorizar e reconhecer as coisas.

E essa era a ideia. Mostrar como vivem os brasileiros nos diversos países. A riqueza de uma multidão que não vê fronteiras – só desafios e alegrias. E, não importa a situação, sempre se dá um jeitinho. Já diria o poeta Caetano – que de perto ninguém é normal. No glacê somos todos iguais, mas no recheio e bem de pertinho, cada um é cada um, com as suas maravilhosas experiências; suas peculiaridades e sempre com aquela grande história pra contar – única e intransferível.

O grande prazer seria ver até onde fomos parar. Qual seria o nosso limite de percorrer o mundo. Na África do Sul? Dobrando o Cabo da Boa Esperança. No Oriente Médio?. No Afeganistão, no meio da guerra? Na Palestina? No Mar Morto? Em Jerusalém? No muro das lamentações? Percorrendo a via crusis? Nos kibuts de Israel. Na Turquia? Nas Ilhas Gregas? Nas Muralhas da China? Na Sibéria russa? Em fim, no Polo Sul, convivendo com os pinguins? Fico com água na boca só de imaginar.

Essa publicação seria a reportagem inaugural deste projeto – Brasileiros em Paris. A ponta de lança, perscrutando a Europa de início e ir paulatinamente penetrando pela imensidão do mundo. A princípio seria apenas uma matéria no caso do tema – Brasileiros na França. Muito por acaso, pois tenho uma amiga e colega muito querida que mora mais há 20 anos no país. Entretanto, com o grande número de pessoas que gentilmente se apresentaram para participar da matéria, acabei dividindo o assunto em duas partes.

E assim entraríamos pelo mundo a procura dos nossos intrépidos conterrâneos e suas grandes e estimulantes aventuras.

Mário Kodama.
Outubro e novembro de 2019
Cidade de Isesaki, Província de Gunma, Japão

No Comments Yet.

Deixe seu comentário.

%d blogueiros gostam disto: